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Período

Primeira República: o Brasil dos coronéis (1889–1930)

A primeira fase republicana prometia modernidade, mas foi dominada pelas oligarquias do café e pelo coronelismo. Por baixo da política dos governadores, o povo se revoltou — no sertão, nos quartéis e nas ruas do Rio.

Publicado em 13 de junho de 2026 · Leitura de 7 min · Reconta Brasil
Ilustração do sertão da Bahia no tempo da Guerra de Canudos

A Primeira República foi marcada por revoltas como a Guerra de Canudos, no sertão.

A Primeira República — também chamada de República Velha — vai de 1889, com a Proclamação, a 1930, com a revolução que levou Getúlio Vargas ao poder. Foi um regime formalmente democrático, mas controlado por poucos.

Café com leite e coronelismo

A política era dominada pelos estados mais ricos: São Paulo (café) e Minas Gerais (leite) revezavam-se na presidência — a chamada política do café com leite. No interior, o poder pertencia aos coronéis, grandes proprietários que controlavam os votos da população dependente — o "voto de cabresto". A maioria do povo, analfabeta, sequer votava.

A Guerra de Canudos (1896–1897)

No sertão da Bahia, milhares de pobres se reuniram em torno do líder religioso Antônio Conselheiro, fundando o arraial de Canudos. A República viu na comunidade uma ameaça e enviou o Exército. A Guerra de Canudos consumiu quatro expedições militares antes de o arraial ser destruído — uma das páginas mais sangrentas do período.

A Revolta da Vacina (1904)

No Rio de Janeiro, a campanha de vacinação obrigatória contra a varíola, conduzida por Oswaldo Cruz, somou-se à revolta popular com as demolições da reforma urbana. O resultado foi a Revolta da Vacina, dias de confronto nas ruas da capital.

A Revolta da Chibata (1910)

Na Marinha, marinheiros negros e mestiços ainda eram punidos com castigos físicos a chicote. Em 1910, sob a liderança de João Cândido, o "Almirante Negro", eles se amotinaram e apontaram os canhões dos encouraçados para a cidade. A Revolta da Chibata conseguiu abolir oficialmente os castigos — mas seus líderes foram depois perseguidos.

Imigração e o fim da República Velha

Foi o auge da imigração: a chegada dos japoneses, a partir de 1908, somou-se às ondas anteriores de italianos e alemães nas lavouras e nas cidades. A crise do café e a insatisfação política levaram à Revolução de 1930, que encerrou a Primeira República e abriu a Era Vargas — pano de fundo da Revolução Constitucionalista de 1932.

A economia e o encilhamento

A jovem República começou com uma crise financeira: o Encilhamento, uma bolha de especulação e emissão desenfreada de moeda no início da década de 1890, que terminou em falências e inflação. Superada a turbulência, a economia voltou a girar em torno do café, sujeito às oscilações do mercado internacional. Para sustentar os preços, o governo chegou a comprar e estocar safras — a "valorização do café" —, política que beneficiava os fazendeiros e expunha a dependência do país de um único produto.

O coronelismo por dentro

O coronelismo era a engrenagem que fazia a República funcionar. No interior, o coronel — grande proprietário — garantia os votos de seus dependentes em troca de favores e proteção. Esses votos sustentavam os governadores, que sustentavam o presidente: a "política dos governadores". Como o voto era aberto, controlar o eleitorado era simples — daí a expressão "voto de cabresto". A maioria da população, analfabeta, estava excluída do jogo. Era uma democracia apenas na fachada.

Outras revoltas: Contestado e tenentismo

Além de Canudos, da Vacina e da Chibata, a República Velha viu a Guerra do Contestado (1912–1916), no Sul — um conflito messiânico e social parecido com Canudos. Nos anos 1920, jovens oficiais do Exército, os "tenentes", lideraram levantes contra as oligarquias, como a Coluna Prestes, que percorreu o interior do país. O tenentismo preparou o terreno para a Revolução de 1930.

Cultura e modernização

A Primeira República também foi tempo de mudança cultural. As cidades cresceram e se modernizaram — nem sempre para todos, como mostrou a Revolta da Vacina. Em 1922, a Semana de Arte Moderna, em São Paulo, rompeu com os modelos europeus e propôs uma arte genuinamente brasileira. No mesmo ano, o centenário da independência expunha o contraste entre a fachada de progresso e as tensões que levariam, oito anos depois, ao fim da República Velha e à Era Vargas.

Primeira República em datas

  • 1889 — Proclamação da República.
  • 1896–1897 — Guerra de Canudos.
  • 1904 — Revolta da Vacina, no Rio.
  • 1908 — chegada dos primeiros imigrantes japoneses.
  • 1910 — Revolta da Chibata.
  • 1930 — Revolução leva Vargas ao poder; fim da República Velha.

Perguntas frequentes

O que foi a Primeira República?

Foi a primeira fase republicana do Brasil, de 1889 a 1930, também chamada de República Velha, marcada pelo domínio das oligarquias do café e pelo coronelismo.

O que foi a política do café com leite?

Era o arranjo em que São Paulo (café) e Minas Gerais (leite), os estados mais ricos, revezavam-se no comando da presidência durante a República Velha.

Quais foram as principais revoltas da Primeira República?

As mais importantes foram a Guerra de Canudos (1896–1897), a Revolta da Vacina (1904) e a Revolta da Chibata (1910).

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