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Período

Brasil Império: a era dos Pedros (1822–1889)

Entre a independência e a República, o Brasil viveu 67 anos como Império — um país continental, escravista e cheio de revoltas. Foi a era de dois imperadores, de guerras nas fronteiras e da lenta queda da escravidão.

Publicado em 13 de junho de 2026 · Leitura de 7 min · Reconta Brasil
Ilustração de cavalaria do século XIX no pampa, durante a Revolução Farroupilha

O Império foi marcado por revoltas provinciais como a Farroupilha, no Sul.

O Brasil Império vai de 1822, com a independência, a 1889, com a Proclamação da República. É costume dividi-lo em três fases: Primeiro Reinado, Período Regencial e Segundo Reinado.

Independência e Primeiro Reinado (1822–1831)

Em 7 de setembro de 1822, Dom Pedro I rompeu com Portugal. O novo país nasceu monárquico e escravista, com uma Constituição outorgada em 1824. O reinado foi curto e turbulento: desgastado por crises, Dom Pedro I abdicou em 1831, deixando o trono para o filho de cinco anos.

O Período Regencial e as revoltas (1831–1840)

Como o herdeiro era menino, o Brasil foi governado por regentes. Foi a fase mais instável do Império: revoltas explodiram em várias províncias. No Pará, a Cabanagem (1835–1840) levou a população pobre ao poder e custou dezenas de milhares de vidas. No Sul, a Revolução Farroupilha (1835–1845) durou dez anos e chegou a proclamar uma república — e teve, entre seus combatentes, a brasileira Anita Garibaldi.

Segundo Reinado (1840–1889)

Em 1840, Dom Pedro II foi declarado maior de idade aos 14 anos e assumiu o trono. Seu longo reinado trouxe relativa estabilidade interna, café como nova riqueza e grandes transformações.

No plano externo, o Brasil se envolveu na Guerra do Paraguai (1864–1870), o maior conflito armado da história sul-americana. No plano interno, a escravidão entrava em colapso: leis graduais (Ventre Livre, Sexagenários) levaram à abolição definitiva pela Lei Áurea, em 1888.

O fim do Império

A abolição sem indenização irritou os fazendeiros; a questão religiosa e a militar afastaram a Igreja e o Exército do trono. Sem apoio, a monarquia caiu em 15 de novembro de 1889, dando lugar à Primeira República. Foi também no fim do Império que começou a grande imigração europeia para substituir a mão de obra escrava.

A economia do café

Se o açúcar definiu a colônia, o café definiu o Império. A partir de 1830, as fazendas de café do Vale do Paraíba e, depois, do oeste paulista tornaram-se a principal riqueza do país. O café financiou ferrovias, bancos e o porto de Santos, e criou uma nova elite — os "barões do café" — que substituiria os antigos senhores de engenho no topo da sociedade. Foi também a lavoura cafeeira que, ao precisar de braços, primeiro intensificou o tráfico de escravizados e, depois, puxou a imigração europeia.

A sociedade imperial e a escravidão

O Brasil Império era um país escravista até a medula: em meados do século XIX, escravizados formavam parcela enorme da população. A escravidão estava em toda parte — nas fazendas, nas cidades, nas casas. Foi também no Império que cresceu o movimento abolicionista, com figuras como Joaquim Nabuco e José do Patrocínio, e que vieram as leis graduais: Lei Eusébio de Queirós (1850), Ventre Livre (1871) e Sexagenários (1885), até a abolição final em 1888.

A Guerra do Paraguai e o Exército

A Guerra do Paraguai (1864–1870) foi o evento militar definidor do Segundo Reinado. Além do custo humano e financeiro, ela transformou o Exército: profissionalizou os oficiais, deu-lhes prestígio e consciência de classe. Muitos voltaram da guerra críticos da monarquia e da escravidão — e seriam decisivos na queda do Império. Não por acaso, foi um marechal, Deodoro da Fonseca, quem proclamaria a República em 1889.

As revoltas do Império

O Império nunca foi tão estável quanto a imagem de Dom Pedro II sugere. Além da Cabanagem e da Farroupilha, o período regencial viu a Balaiada, no Maranhão, e a Sabinada, na Bahia. Eram revoltas de naturezas diferentes — algumas populares, outras das elites provinciais —, mas todas expressavam a mesma tensão: um país imenso, desigual e mal costurado, em que as províncias se sentiam distantes e exploradas pelo centro.

Brasil Império em datas

  • 1822 — independência; início do Primeiro Reinado.
  • 1831 — abdicação de Dom Pedro I; começa a Regência.
  • 1835 — eclodem a Cabanagem e a Farroupilha.
  • 1840 — Dom Pedro II assume o trono.
  • 1864–1870 — Guerra do Paraguai.
  • 1888 — Lei Áurea aboli a escravidão.
  • 1889 — Proclamação da República.

Perguntas frequentes

O que foi o Brasil Império?

Foi o período em que o Brasil foi uma monarquia, de 1822 a 1889, governado por Dom Pedro I e Dom Pedro II, entre a independência e a Proclamação da República.

Quais foram as fases do Império?

Primeiro Reinado (1822–1831), Período Regencial (1831–1840) e Segundo Reinado (1840–1889).

Por que o Império acabou?

Pela perda de apoio dos fazendeiros após a abolição sem indenização, pelo afastamento da Igreja e do Exército, levando à Proclamação da República em 1889.

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