InícioBlog › Guerra do Paraguai
História do Brasil

A Guerra do Paraguai: a maior guerra da história sul-americana

Entre 1864 e 1870, Brasil, Argentina e Uruguai uniram-se contra o Paraguai no mais longo e mais sangrento conflito já travado na América do Sul. Ao final, um país inteiro estava em ruínas.

Publicado em 19 de maio de 2026 · Leitura de 9 min · Reconta Brasil
Ilustração de uma batalha da Guerra do Paraguai

A Guerra do Paraguai durou quase seis anos e mobilizou cinco países sul-americanos.

O que foi a Guerra do Paraguai

A Guerra do Paraguai — também chamada Guerra da Tríplice Aliança — foi o conflito armado mais longo e mais letal da história da América do Sul. Estendeu-se de dezembro de 1864 a março de 1870 e opôs o Paraguai a uma aliança formada por Brasil, Argentina e Uruguai.

Foi uma guerra de proporções enormes para a região: centenas de milhares de mortos, exércitos de dezenas de milhares de homens, batalhas navais decisivas e uma campanha terrestre que se arrastou por anos sobre rios, pântanos e fortalezas. No Brasil, o conflito moldou o Exército, expôs a fragilidade da escravidão e abalou o próprio Império.

As causas do conflito

A região do Prata vivia, no início dos anos 1860, uma disputa permanente por influência. Brasil e Argentina rivalizavam pelo controle político da bacia platina, enquanto o Uruguai era palco de uma guerra civil entre os partidos Colorado e Blanco. O Paraguai, governado por Francisco Solano López, havia se transformado num Estado militarizado e queria afirmar-se como potência regional.

O estopim veio em 1864, quando o Brasil interveio militarmente no Uruguai em apoio aos colorados. Solano López, aliado dos blancos, viu na ação uma ameaça ao equilíbrio do Prata. Em novembro de 1864, mandou aprisionar o navio brasileiro Marquês de Olinda no rio Paraguai e, em seguida, ordenou a invasão da província de Mato Grosso.

A invasão de Mato Grosso

A guerra começou, para o Brasil, pelo flanco mais frágil. As tropas paraguaias invadiram o sul de Mato Grosso no fim de 1864, tomando fortes e povoados de uma região isolada e mal defendida. Em seguida, López avançou também sobre território argentino, na província de Corrientes, atravessando o país que pretendia neutralizar.

Foi essa ofensiva dupla — contra Brasil e Argentina — que cimentou a aliança contra o Paraguai.

A Tríplice Aliança

Em 1º de maio de 1865, Brasil, Argentina e Uruguai assinaram o Tratado da Tríplice Aliança, formalizando a coligação militar. O acordo definia o comando conjunto das forças e estabelecia, entre outras coisas, que a guerra só terminaria com a queda de Solano López.

Na prática, o Brasil acabou arcando com a maior parte do esforço de guerra — em homens, navios e dinheiro. O Império recrutou tropas em massa, e parte do contingente foi formada pelos chamados Voluntários da Pátria, além de escravizados libertados especificamente para servir, o que tornou a guerra um dos fatores que minaram o sistema escravista brasileiro.

Riachuelo e o domínio dos rios

O primeiro grande golpe veio na água. Em 11 de junho de 1865, a esquadra brasileira derrotou a marinha paraguaia na Batalha Naval do Riachuelo, no rio Paraná. A vitória foi decisiva: garantiu à aliança o controle dos rios da bacia platina, principal via de transporte e abastecimento da região.

Quem dominava os rios dominava a guerra. Depois de Riachuelo, o Paraguai perdeu a iniciativa e passou a lutar na defensiva, dentro do próprio território.

Sem poder mais avançar, López recuou para uma linha de fortificações no sul do Paraguai e transformou o conflito numa longa guerra de cercos e trincheiras.

Tuiuti, Curupaiti e Humaitá

A campanha terrestre foi brutal. Em 24 de maio de 1866, a Batalha de Tuiuti — a maior batalha campal da história sul-americana — resultou em milhares de mortos e numa vitória aliada, embora sem desfecho definitivo.

Poucos meses depois, em setembro de 1866, a Batalha de Curupaiti foi um desastre para os aliados: um ataque mal coordenado contra posições paraguaias fortificadas causou milhares de baixas em poucas horas. A derrota gerou uma crise de comando e fez a guerra estagnar.

A virada veio com a chegada de Luís Alves de Lima e Silva, o futuro Duque de Caxias, ao comando das forças brasileiras. Caxias reorganizou o exército, cuidou da logística e da saúde da tropa, e conduziu a ofensiva que levou à conquista da poderosa fortaleza de Humaitá, em fevereiro de 1868, e à tomada da capital paraguaia, Assunção, no início de 1869.

Cerro Corá: a queda de Solano López

Mesmo com Assunção ocupada, Solano López recusou-se a se render. Refugiou-se no interior e arrastou a guerra por mais de um ano numa retirada cada vez mais desesperada — a chamada Campanha das Cordilheiras —, agora liderada do lado aliado pelo Conde d'Eu, genro do imperador D. Pedro II.

O fim veio em 1º de março de 1870, na Batalha de Cerro Corá. Cercado, Solano López foi morto, encerrando o conflito. Conta-se que suas últimas palavras teriam sido "morro com a minha pátria" — frase muito repetida, embora cercada de controvérsia entre os historiadores.

O preço da guerra

A Guerra do Paraguai deixou um rastro devastador. O país derrotado foi o que mais sofreu: perdeu uma parcela imensa de sua população — as estimativas variam bastante, mas falam em algo entre metade e dois terços dos habitantes de antes da guerra —, perdeu território e teve sua economia arruinada por décadas.

Para o Brasil, o saldo também foi profundo. Dezenas de milhares de mortos, uma dívida enorme, e um Exército que saiu da guerra fortalecido, prestigiado e mais consciente de seu peso político — um dos fatores que levariam à Proclamação da República em 1889. A guerra também acelerou o debate sobre o fim da escravidão. Foi, em todos os sentidos, um divisor de águas para a região.

A Guerra do Paraguai em datas

  • novembro de 1864 — Paraguai aprisiona o navio Marquês de Olinda e invade Mato Grosso.
  • 1º/05/1865 — assinatura do Tratado da Tríplice Aliança.
  • 11/06/1865 — Batalha Naval do Riachuelo: domínio aliado dos rios.
  • 24/05/1866 — Batalha de Tuiuti, a maior batalha campal da América do Sul.
  • setembro de 1866 — derrota aliada em Curupaiti.
  • fevereiro de 1868 — queda da fortaleza de Humaitá.
  • 1º/03/1870 — morte de Solano López em Cerro Corá; fim da guerra.

Veja esta história em painéis ilustrados

A Guerra do Paraguai está em produção no app Reconta Brasil — uma série em painéis ilustrados, com narração em português e arte em aquarela e tinta. Em breve.

Conhecer o app